O anúncio do presidente Lula de que com “uma sucessão de naufrágios financeiros, é chegada a hora da política” está em andamento. A atenção que a mídia normalmente dedica a Wall Street agora se concentra nas discussões que ocorrem dentro do Congresso americano. No entanto, há aí uma presunção infundada. Só porque não se prestava tanta atenção à política, isso não significa que ela cochilava. Afinal, quando foi que o governo permitiu que o mercado imobiliário funcionasse livremente?
Alguns diriam: em 1968, quando a Fannie Mae foi privatizada, para que o governo americano pagasse as dívidas contraídas com a guerra do Vietnã. Mas a simples existência de uma companhia criada pelo governo para “aumentar o fluxo dos fundos de financiamento da casa própria” já deve ser questionada. Não será que a expansão dos investimentos imobiliários além do financeiramente responsável não contou com a participação de uma semi-estatal que considerava parte da sua missão expandir-se acima dos limites do mercado?
