Soluções sustentáveis geram lucro

Segmento é um dos mais promissores; empresários começam a colher frutos de aporte no setor

Por Diogo Bercito

Rafael Hupsel/Folha Imagem

Rafael Hupsel/Folha Imagem

A Air Plast, de Aires de Freitas, transforma garrafas PET em matéria-prima para colchões

No contexto das mudanças climáticas, que atraem a atenção não só de ambientalistas mas também de consumidores conscientes, empresários aproveitam para achar oportunidades que unam a sustentabilidade ambiental à econômica.

Os negócios baseados em ecossoluções estarão entre os mais promissores pelos próximos sete anos, segundo estudo realizado pelo Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) que será divulgado até o fim do mês.

O empreendedor Aires de Freitas já encontrou seu nicho nesse mercado. Sua empresa, a Air Plast, produz um material chamado PET micronizado, polímero feito a partir de garrafas de plástico que pode ser usado para a fabricação de colchões, estofamento e calçados.

A Air Plast produz cerca de 700 toneladas de PET micronizado por mês e vende o quilo a R$ 3,35. Na empresa, trabalham 12 funcionários.

Para o empresário, antes de optar por um negócio baseado na sustentabilidade do planeta, é preciso pensar na sustentabilidade econômica.

"A preservação ambiental só funciona se está aliada a um retorno financeiro", opina. "Não é altruísmo, é um negócio."

Oportunidades

Segundo Marcelo Dini, gerente de inovação e acesso à tecnologia do Sebrae-SP, a gestão ambiental é cada vez mais urgente. Além de ter importância climática, ela pode representar um diferencial competitivo para o negócio.

A instituição lançou neste ano a cartilha "Mudanças Climáticas e Oportunidades de Negócios para Pequenas Empresas", que passa noções gerais do tema e sugere nichos.

O documento está disponível para "download" em www.sebrae.com.br/inovacao, no link "meio ambiente".

Para atuar nesse segmento ainda não há receitas de sucesso, segundo os especialistas ouvidos pela Folha.

"Todas as estratégias estão apenas começando a ser utilizadas", ressalta Fernanda Borger, professora de responsabilidade social corporativa da Business School São Paulo.

Para os interessados no setor, porém, Borger dá um conselho: ter paciência. "É um processo lento, e as empresas que investiram nele há dois anos estão começando a colher os frutos agora", destaca.