Riscos indevidamente calculados

Títulos agora podres tinham nota A, AA e AAAe supostamente ofereciam pouco risco aosinvestidores. Mais um erro das empresasde avaliação de crédito.

Por Renata Moraes e Kalleo Coura

Eric Thayer/Reuters

FALSA SEGURANÇA - A AIG, a maior seguradora dos EUA, tinha nota AA até um mês antes da intervenção federal.

Quadro: As bolas fora

As agências de avaliação de crédito desempenham um papel coadjuvante, mas fundamental, no sistema financeiro moderno. Elas aferem a capacidade de países e empresas pagarem seus débitos em dia. Essa função é chave na engrenagem das finanças porque, graças a elas, os investidores têm – em tese – a capacidade de saber se estão colocando seu dinheiro em uma aplicação confiável ou se correm o risco de comprar um grande mico. Por meio de modelos matemáticos e da análise de uma série de indicadores econômicos e contábeis, essas agências emitem notas, conhecidas em inglês como ratings. Quanto melhor o rating, mais confiável um investimento, dando ao emissor de uma dívida o direito de pagar juros mais baixos. Nesse vestibular financeiro, a melhor das avaliações é o triplo A. Da mesma maneira que em outras crises passadas, no entanto, mais uma vez essas agências de avaliação erraram feio e não perceberam o risco para o qual deveriam ter alertado, levando milhares de investidores a comprar gato por lebre.