Se a tecnologia digital fosse uma orquestra, Gordon Moore seria Joseph Haydn, o austríaco do século XVIII que determinou a disposição dos instrumentos respeitada até os dias de hoje. Há mais de quarenta anos, Moore previu que a capacidade de processamento dos computadores dobraria, enquanto o preço das máquinas despencaria. Sua previsão virou lei e tem sido comprovada ano a ano.
Por Gabriela Carelli
Este é o manuscrito original da Lei de Moore, de 1965. As curvas mostram a tendência de queda dos preços, enquanto o número de componentes por circuito aumenta. Esse ciclo repete-se em espaços regulares de tempo.
"Fico desapontado em ver como sistemas ultramodernos de pesquisa são mal aproveitados na medicina. Essa é uma área que deveria se beneficiar mais da tecnologia digital"
Ele é uma lenda viva da era da informação. Gordon Moore, químico e físico americano, é o autor de um artigo publicado na revista Electronics, em 1965, que realizou uma façanha notável: anteviu, com razoável precisão, o ritmo da revolução tecnológica nas quatro décadas subseqüentes. O texto indicava que a capacidade de processamento do microprocessador – o chip – dobraria a cada ano. Esse avanço permitiria a criação de máquinas cada vez mais potentes e baratas. Em 1975, ele reviu o cálculo, ampliando o período para dois anos. A estimativa transformou-se num estatuto da informática, batizado de Lei de Moore. Mas ele fez mais. Co-fundador da Intel, produziu mais de uma dezena de modelos de chips. Sem essas pequenas peças, feitas de micropastilhas de silício e capazes de processar bilhões de informações por segundo, nem sequer existiriam as calculadoras portáteis. Aos 79 anos, a lenda dedica-se à Gordon and Betty Moore Foundation, uma entidade filantrópica criada em 2000. Figura em quinto lugar na lista dos cinqüenta maiores doadores da revista Business Week. "Os assuntos que me preocupam hoje são a conservação ambiental, minha família e a pescaria", diz. Mas o cientista não deixa de acompanhar a evolução da tecnologia e de fazer novas previsões. Quais? Com a palavra, Gordon Moore.
