Entre o surgimento da linguagem e o da escrita, sucederam-se 1 400 gerações. Agora, no intervalo de vida de uma mesma geração, cerca de vinte anos, novos paradigmas tecnológicos são inventados e reinventados.
Por Ana Paula Baltazar
O sociólogo belga-canadense Derrick de Kerckhove define de maneira singular o atual momento em que se dá a evolução da tecnologia. "Vivemos em estado permanente de inovação, e não é possível detê-la", disse a VEJA. Discípulo do filósofo Marshall McLuhan (1911-1980), famoso por ter lançado o conceito de aldeia global, Kerckhove usa a figura ao lado para explicar seu raciocínio. A ilustração mostra que, entre a aquisição da linguagem humana e o surgimento da escrita, houve um intervalo de 1 400 gerações. Da escrita ao desenvolvimento da imprensa, esse prazo sofreu uma brutal redução: passaram-se 265 gerações. Já revoluções recentes, que disseminaram a televisão, o computador e a internet, ocorrem a intervalos de poucos anos. E todas têm sido vivenciadas por uma ou duas gerações. É um ritmo estonteante de novidades.
