Energia que vira massa - cientistas observam nas telas os primeiros testes do acelerador de partículas LHC: prótons quase à velocidade da luz.
Os cientistas do laboratório de física Cern, na Suíça, ergueram copos de plástico para um brinde e celebraram ruidosamente uma grande vitória. Momentos antes, havia ocorrido a primeira demonstração da maior máquina já construída em todos os tempos, destinada a conduzir o mais ousado experimento da história da física. Trata-se do acelerador de partículas LHC (sigla em inglês para Large Hadron Collider), com o qual se pretende desvendar os mistérios do nascimento do universo e responder a questões cruciais da cosmologia, como a possível existência de outras dimensões. O LHC é um túnel de 27 quilômetros de extensão, construído a 100 metros de profundidade na fronteira entre a França e a Suíça. Em seu interior, os cientistas aceleram feixes de prótons a uma velocidade próxima à da luz e os fazem colidir. Com isso, pretende-se reproduzir as condições existentes no cosmo um trilionésimo de segundo depois do Big Bang, a grande expansão súbita que deu origem ao universo e a tudo o que ele abriga.
Entre o projeto e a construção, o LHC levou 24 anos para se materializar, ao custo de 8 bilhões de dólares bancados por um consórcio de países. Na quarta-feira, durante a demonstração da supermáquina, os cientistas fizeram um feixe de prótons viajar por toda a extensão do acelerador. Ainda deve demorar dois meses para que o LHC funcione de verdade, promovendo a colisão de prótons, mas ele já passou com brilho no primeiro teste. "Considerando os milhares de mecanismos e sistemas da máquina, que poderiam fazer com que algo desse errado, a estréia foi um sucesso", diz o físico Gustavo Burdman, da Universidade de São Paulo.
