O amor sem pressa

Por Daniela Spilotros

Deixe de lado tudo o que você (acha que) sabe sobre sexo e embarque na experiência transcendental do sexo tântrico: o prazer que cultua as preliminares, a entrega total e o êxtase que vai muito além do orgasmo.

Bastante excitado, o homem deve segurar a ejaculação quando está quase alcançando o clímax. A mulher retarda o prazer para experimentar orgasmos mais intensos, até mesmo múltiplos. Olho no olho, poucas palavras, beijos intermináveis, toques carinhosos e a sensação de estar absolutamente entregue ao momento, sem tabus, vergonha ou culpa. O sexo tântrico, prática milenar que segue os princípios do Tantra, uma ciência originária da Índia, ainda é um mistério para nós, ocidentais, acostumados a restringir o sexo ao contato genital. Segundo seus princípios, a relação entre duas pessoas é um ato sagrado, que transcende o prazer e o gozo. É um caminho para se chegar à iluminação e transformar a energia de cada um numa única, conectada ao cosmo.

Ao contrário de uma transa rápida, automática, que leva ao cansaço físico após o orgasmo, o sexo tântrico propõe uma experiência única, de prolongamento máximo do prazer, em que o ato sexual e as ondas de êxtase se estendem por horas e horas, sem pressa. Cada parte do corpo é uma extensão do órgão sexual. Mas é bom esclarecer: a prática não exige preparo físico fora do comum, não sugere posições contorcionistas e, o melhor de tudo, não há preocupação com o desempenho. “Como não existe ego, não há cobranças nem ansiedade”, explica Anand Siddhen, terapeuta especialista em Tantra. “O mais importante é desfrutar o momento, estar presente e inteiro em cada toque, beijo ou carícia, centrado em si mesmo e em seu parceiro. O orgasmo não é a finalidade. Dessa forma, o ato torna-se tranqüilo, intenso, longo e extremamente prazeroso”, completa. A seguir, Siddhen responde às principais dúvidas sobre sexo tântrico e ensina como é possível inserir um pouco dessa ciência milenar em nossos relacionamentos. Na contramão do sexo fugaz, sem compromisso, essa prática é uma porta aberta para aqueles que desejam investir em uma relação mais profunda e verdadeira, baseada no amor.