Cinco candidatos a vereador de São Paulo participaram de um debate cujo principal objetivo foi discutir a capacidade de os homossexuais serem eleitos para cargos públicos. Entre pizzas, aplausos e gritaria comum a qualquer evento político na reta final de uma eleição, o primeiro debate entre candidatos homossexuais assumidos da capital paulista reuniu 130 pessoas, no Bill Pizza, primeira pizzaria voltada para Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT) da cidade. No foco das discussões: trabalho, educação, saúde e como a administração pública pode aprimorar seu relacionamento com o segmento.
Como em qualquer debate, os participantes protagonizaram momentos de tensão, ataques e, no fim, sorrisos e apertos de mão. No ringue, estavam o professor e assessor político Marcos Fernandes (PSDB), a travesti Jacque Channel (PMN) e as dragqueens Kaká di Polly (PTN), Léo Aquilla (PR) e Salete Campari (PDT). Embora com planos e projetos em alguns casos bem diferentes, todos foram unânimes em uma coisa: eles pediram a união dos LGBT para a eleição de um representante da categoria na Câmara. "Nós temos potencial para assumir um papel de representação. O gay tem sempre que mendigar apoio, se a gente se organizar, dá para chegar lá", diz otimista Aquilla, que é estudante de jornalismo e faz parte da equipe do programa Super Pop, de Luciana Gimenez.
Farpas - Como não poderia faltar em um debate político, os tiros de todos os lados sempre acabam atingindo alguém. No debate, apesar de todos dizerem que não são concorrentes, sim aliados, a disputa ficou polarizada entre Salete Campari e Léo Aquilla. A rivalidade já começa no jeito como cada uma das drags encara a campanha. "Eu não vou fazer campanha fantasiada. Vou mostrar minha cara para pedir voto, vou deixar o palhaço de luxo que é a minha profissão de lado, para fazer política séria", diz Áquilla.
Voto pedido - Não foram todos os candidatos que fizeram "aquela presença" com os seus chefes de chapa na hora do debate. A única candidata que realmente fez questão de citar quem apoiava na disputa pela prefeitura foi Salete Campari, cujo partido apóia a candidata Marta Suplicy (PT). Os martistas, aliás, estavam em peso no local e a cada resposta dada por Campari, uma salva de palmas tomava conta da pequena pizzaria, que funciona em plena Rua da Consolação, em Cerqueira Cesar. O santinho de Kaká que era entregue na porta do estabelecimento também ressaltava o apoio à candidata petista.
