Príncipe pelo preço de sapo

Por Giuliano Guandalini

NA ETERNA CONTRAMÃO - Warren Buffett e sua receita para tornar-se uma lenda do capitalismo: "Seja audacioso quando os outros estiverem com medo e tenha medo quando os outros forem audaciosos".

Onde todo mundo via problemas, ele enxergou oportunidades. Warren Buffett não fez nada de novo. Foi assim que ele construiu sua fortuna.

Buffett, em suma, foi às compras num dia frio e de chuva, enquanto os outros consumidores se esconderam sob os cobertores. Com isso, em dias de crédito escasso, tornou-se, ao lado do Federal Reserve, o banco central americano, um dos maiores emprestadores de última instância do capitalismo americano. Não será surpresa se, passada a turbulência, esses investimentos se mostrarem extremamente rentáveis. Foi justamente tirando proveito das pechinchas oferecidas em períodos de instabilidade financeira que Buffett construiu sua fortuna, multiplicou o dinheiro de seus acionistas e contribuiu para revigorar o capitalismo americano, ao longo de mais de cinco décadas dedicadas ao mercado financeiro. Valer-se do momento de pânico e de incongruências do mercado está na raiz de sua filosofia de investimentos. Buffett faz dinheiro, muito dinheiro, apostando contra a maré, encontrando companhias que possuem um valor intrínseco e que estejam depreciadas por fatores exógenos, conjunturais – Buffett diz gostar de "comprar príncipes pelo preço de sapos".