Por Heitor Shimizu e Ana Paula Baltazar
Em junho, um novo campeão conquistou importante marca no mundo dos bits. Surgiu o supercomputador mais veloz do planeta, o Roadrunner – nome do pássaro, incansavelmente perseguido por um coiote, que inspirou o desenho animado Papa-Léguas. Ele quebrou um recorde espetacular. Atingiu a velocidade de processamento de dados chamada de petaflops, que corresponde a 1 quatrilhão de operações por segundo.
Ao alcançarem a barreira dos petaflops, as máquinas qualificam-se para simular operações e resolver problemas extremamente complexos, com profundas implicações tanto para a ciência como para o mundo dos negócios. Com todo esse poder de fogo, os computadores conseguem, por exemplo, reproduzir algumas funções do cérebro. E isso já está ocorrendo.
BERÇÁRIO DE GALÁXIAS - Durante um mês, o principal supercomputador da Sociedade Max Planck, na Alemanha, realizou os cálculos que criaram esta imagem. É a simulação do surgimento de um grupo de galáxias. O cubo à esquerda mostra uma nuvem homogênea que começa a se contrair. Aos poucos, a matéria escura (que constitui 25% do universo, mas é invisível) se aglutina para dar origem a uma estrela, indicada por um pequeno ponto amarelo no cubo à direita. Os cientistas conseguiram recriar a história evolutiva de 20 milhões de galáxias.
O maior supercomputador do Brasil é o Netuno, inaugurado em maio pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ocupa o 138º lugar na lista dos Top500. Alcança 16,24 teraflops. Tem menos de 2% da velocidade do Roadrunner. Mas isso não é pouco. Uma previsão de chuvas para dez dias é feita em uma hora na UFRJ. Se fosse usado um PC comum, levaria quarenta dias. Ou seja, a chuva já teria caído. Financiado pela Petrobras, o Netuno custou 5 milhões de reais. Será empregado na exploração de petróleo. Nesse setor, a força do processamento de dados auxilia na descoberta de novas reservas, quer por meio de cálculos, quer pelo conhecimento adquirido sobre o comportamento do leito oceânico. "Com o Netuno podemos prever também como o solo vai se comportar após a retirada do petróleo e do gás, além de estimar quanto isso pode alterar o regime de correntes e as temperaturas do mar", disse a VEJA Sergio Guedes de Souza, coordenador do Centro de Computação de Alto Desempenho de Geofísica e Oceanografia da UFRJ.
