Escolas brasileiras começam a criar bons programas para atrair os pais. Com eles por perto, o desempenho melhora.
Por Camila Pereira
Com a participação ativa dos pais na vida escolar, a nota dos alunos é cerca de 20% maior.
A internet, que até há pouco tempo ficava restrita às raras aulas de computação, começa a se prestar ao propósito de despertar a atenção dos pais para o que se passa na sala de aula de escolas brasileiras. Os colégios na vanguarda desse processo colocam na rede o boletim dos alunos, a lição de casa e um roteiro diário das aulas. Os pais podem ainda trocar e-mails com os professores, para que se mantenham atualizados sobre os filhos sem necessidade de ir à escola. Vem sendo um estímulo para gente como o casal de advogados Paulo e Maria Amélia Meneguetti. Para eles, absorvidos por uma jornada de trabalho puxada, era difícil encontrar tempo para acompanhar a rotina dos filhos, Bianca, 10 anos, e Caio, 14. O fato de a Escola Internacional de Alphaville, em São Paulo, ter aderido à internet proporcionou-lhes algo raro, segundo o pai: "Entre uma reunião e outra, consigo acompanhar pelo computador o que eles estão aprendendo. Agora, posso ajudar mais". Novidade no Brasil, a internet tem tido uso semelhante, há pelo menos uma década, em países onde a família participa ativamente da vida escolar, como Coréia do Sul e Japão. Também por isso os resultados dos estudantes lá são tão satisfatórios. Afinal, nenhum outro fator, além da qualidade dos professores, está tão associado ao bom desempenho das crianças quanto o envolvimento dos pais. Uma nova pesquisa, conduzida pelo economista Naercio Menezes, do Ibmec, deu os números. Quando os pais estão em cena, as notas podem melhorar até 20%.
