Dezenas de empresas já oferecem testes genéticos por preços a partir de 1 000 dólares. Eles deveriam prevenir doenças, mas, por enquanto, só têm despertado polêmicas.
Por Ruth Helena Bellinghini
Hoje, boa parte dos testes de DNA é um compêndio de curiosidades. Eles são o equivalente genético dos mapas astrais, populares nos anos 90. Os exames apontam, por exemplo, tendências à calvície, a acordar mais cedo ou a ter uma memória verbal relativamente fraca. Detectam ainda a sensibilidade a sabores amargos de uma substância conhecida como PTC, presente no café e na cerveja. Em alguns casos, revelam a intolerância ao álcool. Tal peculiaridade pode ser constatada a partir de alterações numa enzima chamada álcool-desidrogenase. Ela quebra a molécula do álcool, que é tóxica para o organismo. Quando não funciona bem, subprodutos da molécula permanecem no sangue e causam mal-estar. Os testes detalham ainda bobagens como o tipo de cera do ouvido de uma pessoa. Pode ser pegajosa ou seca. Uma ou outra não diz nada. Reflete somente a variabilidade do ser humano – assim como a cor dos olhos, verdes, castanhos ou azuis.
CÓDIGO DA VIDA - Uma seqüência de DNA humano representada na tela de um computador. Cada cor identifica uma das quatro bases nitrogenadas (conhecidas pelas letras A, C, G e T) que constituem o DNA. Os genes são séries de bases com funções específicas no organismo. Alterações nessas séries podem indicar propensão a doenças.
